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Brasileiros estão mais intolerantes com a violência contra a mulher, diz ministra

Em 2/09/2015
Ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM)

Ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM)

Os dados de 2015 do Ligue 180 mostram que houve um crescimento no número de familiares, vizinhos e amigos que ligaram para relatar violências sofridas por mulheres, ao mesmo tempo em que diminuiu o número de registros feitos pela própria vítima. Essa mudança no perfil de quem denuncia é um indicativo de maior conscientização da sociedade de que a violência contra as mulheres é crime e desconstrói a ideia de que violência doméstica é um assunto privado.

Segundo a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), isso se deve ao fato de a sociedade estar cada vez mais envolvida na luta pelo enfrentamento da violência contra as mulheres. “Também é decorrente de políticas públicas mais eficientes, como o programa Mulher Viver sem Violência, a Casa da Mulher Brasileira, as unidades móveis e o Ligue 180. Além de várias campanhas de divulgação, que ajudaram a sensibilizar as pessoas”, explicou a ministra.

Para Menicucci, as pessoas também estão mais conscientes de que podem denunciar no Ligue 180 de forma anônima, o que explica o aumento no número de denúncias. “Quando não precisam se identificar, as pessoas perdem o medo de denunciar. Quando os vizinhos e amigos ligam, eles estão dizendo ‘não concordo com a violência'”.

Em março deste ano, o Ligue 180 passou a ser um disque-denúncia, o que permitiu que as denúncias apresentadas nas ligações seguissem direto para o órgão de segurança do município onde a agressão foi identificada, e se transformassem em um boletim de ocorrência. Antes, a central apenas registrava a denúncia.

O conhecimento da lei também é fator importante para o aumento no número de denúncias e no afastamento do agressor da vítima. De acordo com o relatório do Instituto de Pesquisa Aplicada (Ipea), Avaliando a Efetividade da Lei Maria da Penha, divulgado em março deste ano, mais de 95% dos entrevistados disseram que conhecem ou já ouviram falar da Lei Maria da Penha. Quase 80% acreditam que a Lei pode evitar ou diminuir a violência contra as mulheres.

“A Lei Maria da Penha pegou. Pegou porque, o primeiro fator é que o nome que ela tem é o nome de uma mulher viva, que ficou paraplégica de tanto sofrer violência do ex-marido. A Maria da Penha conseguiu transformar a dor e o sofrimento dela em resistência e na luta pela sobrevivência. Ela é um exemplo vivo”, afirma ministra.

Em segundo lugar, explica a ministra, os resultados efetivos de julgamentos que se tornaram “célebres”, como o julgamento do goleiro Bruno (acusado pela morte da modelo Elisa Samúdio), o julgamento do assassino da advogada Mércia Nakashima, de São Paulo (assassinada pelo ex-namorado), dos integrantes da banda New Hits (acusados de estuprar duas jovens no ônibus da banda) e dos estupradores de Queimada. “Esses casos permitiram à sociedade ver que a lei é efetiva”, disse a ministra.

Ainda de acordo com Menicucci, a Lei está mudando radicalmente a cultura da violência, porque tem sido implementada em todos os cantos do País. “Trabalhamos com tolerância zero com a violência contra as mulheres. Nossa política universalizou o acesso das mulheres aos serviços de enfrentamento à violência. Com os ônibus, barcos para populações ribeirinhas, Casa da mulher brasileira, estamos levando o socorro para os mais longínquos rincões do Brasil.”

180 no Exterior

Além do Brasil, o Ligue 180 funciona em outros 16 países. Segundo a Secretaria de Políticas para as Mulheres, a Central de Atendimento à Mulher tem parceria com os Ministérios das Relações Exteriores, com as polícias federais e com a Interpol, o que possibilita o socorro às vítimas.

“No 180, ela tem a orientação que precisa para que procure, no país onde ela está, os órgãos brasileiros que podem ajudar. Ela é encaminhada para as embaixadas no primeiro momento e pode pedir resgate para o Brasil”, explicou a ministra Eleonora Menicucci.

 

Fonte:
Portal Brasil, com informações da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Agência Brasil e Instituto Patrícia Galvão

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