Conferência estadual mobiliza mulheres do Maranhão e aponta caminhos para a etapa nacional em Brasília

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21/08/2025

O segundo dia da 5ª Conferência Estadual de Políticas para Mulheres do Maranhão foi marcado pelo diálogo, pela construção coletiva e pelo compromisso com um futuro mais justo e inclusivo. Realizada nesta quarta-feira (20), a programação concentrou-se nas discussões dos grupos de trabalho (GT), que abordaram cinco eixos centrais: Participação política e fortalecimento institucional; enfrentamento à violência contra a mulher; igualdade no trabalho e empreendedorismo feminino; educação inclusiva e cidadania; e saúde integral e direitos sexuais e reprodutivos.

A secretária de Estado da Mulher, Abigail Cunha, destacou o papel estratégico da conferência. “Este é um espaço histórico de escuta e de construção. As mulheres maranhenses estão trazendo propostas concretas que vão fortalecer as políticas públicas no nosso estado e dialogar com o Brasil. Essa mobilização é fundamental para que avancemos na garantia dos direitos e na ampliação da participação feminina em todos os espaços de decisão”, afirmou.

Durante a manhã, as participantes se reuniram nos grupos de trabalho para debater os desafios enfrentados pelas mulheres maranhenses e elaborar propostas capazes de transformar a realidade. À tarde, essas contribuições foram apresentadas em plenária, momento em que ideias e experiências se encontraram, reforçando a importância da diversidade de vozes na formulação de políticas públicas.

Na sequência, foi realizada a eleição das delegadas que representarão o Maranhão na etapa nacional da conferência. O processo obedeceu ao regimento interno e garantiu a divisão das vagas por segmento: 60% destinadas à sociedade civil e 40% ao poder público. No total, o estado conta com 91 vagas, sendo 55 para representantes da sociedade civil e 36 para representantes do poder público. Entre estas últimas, 15 foram reservadas ao Poder Público Estadual e o restante às gestoras municipais.

Mais do que números, as eleições revelaram a preocupação com a representatividade. Mulheres negras, indígenas, LBT, trans, jovens, idosas e com deficiência tiveram assegurada sua participação, reafirmando o caráter inclusivo da conferência e a necessidade de contemplar, de forma efetiva, grupos historicamente excluídos.

As propostas aprovadas também seguiram critérios claros: Cada eixo temático encaminhou, no mínimo, três propostas estaduais e três federais. As primeiras permanecerão no Maranhão, orientando a renovação do Plano Estadual de Políticas para Mulheres e influenciando diretamente o orçamento público. Já as federais serão levadas pelas delegadas a Brasília, no fim de setembro e início de outubro, quando acontecerá a Conferência Nacional.

O encerramento do evento foi conduzido por Heliane Fernandes, secretária adjunta de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da Semu e presidente do Conselho Estadual da Mulher. Ela ressaltou que a conferência deixou um legado importante. “Saímos desta conferência com propostas consistentes, mas sobretudo com uma rede fortalecida. As mulheres do Maranhão reafirmaram que querem ser protagonistas das transformações sociais e políticas. Nosso desafio agora é transformar essas propostas em ações concretas, garantindo que a voz das mulheres ecoe nas políticas públicas do estado e do país”.

A 5ª Conferência Estadual de Políticas para Mulheres é uma realização do Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado das Mulheres (Semu).
 

Dois dias de construção coletiva

Ao longo dos dois dias de conferência, as mulheres maranhenses participaram de mesas de debates, grupos de trabalho, plenárias e processos de escuta que reuniram lideranças, especialistas e representantes da sociedade civil e do poder público. O primeiro dia foi marcado por conferências, diálogos e painéis temáticos, que prepararam o terreno para o segundo dia de intensas discussões nos GTs. O saldo final foi um conjunto de propostas concretas, a escolha das delegadas estaduais e a reafirmação da força coletiva das mulheres do Maranhão.

Thárcylla Wazay’zar, liderança indígena de Barra do Corda e eleita delegada, resumiu o sentimento da participação. “Estar aqui é garantir que a voz das mulheres indígenas do Maranhão também chegue à etapa nacional. Nossa luta é por políticas públicas efetivas para todas nós”.

Para Cris Rego, vice-presidente do Conselho Estadual da Mulher, e também eleita delegada, a conferência consolidou um marco. “Vamos a Brasília levar propostas que fortalecem a democracia e ampliam os direitos das mulheres”.

Agora, as propostas construídas no Maranhão serão apresentadas na Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, onde terão a chance de se transformar em conquistas concretas para todas as brasileiras.